terça-feira, 8 de abril de 2014

Como uma Narceja vira poster?

Canon 7D - lente 300mm 4.0 + TC 1.6 + ISO 100 + 1/400
Fotografava na Lagoa dos Patos, final de tarde, com boa luz e mantive ISO 100 para ter pouca granulação. Gabriela viu o bicho e me apontou, com o máximo delicadeza para não espanta-lo. Demorei alguns segundos, mas quando vi, nem deu tempo de pensar em aumentar ISO, por exemplo. Foi clicar e vupt! Cadê? Escafedeu-se sem deixar um beijinho sequer.

A Narceja-de-bico-torto (Nycticryphes semicollaris) move-se somente no final do dia, com pouca luz e mimetiza-se completamente na vegetação. Sorte, nessa hora, é ter a melhor companheira ao seu lado.

Mas tem outra coisinha imprescindível, também. É ativar o foco automático somente no dedão (aquele AF-ON atrás da câmera), deixando o meio/disparador para estabilizar e medir a luz. Se não estivesse nesta opção, teria perdido a chapa, pois havia muita vegetação entre a lente e a ave, justamente na direção do olho, onde o foco é critico. Cá entre nós, ficar à mercê do vai-e-vem do AF teria dado vontade de jogar tudo na lagoa, já passei por isso e perdi a melhor foto da minha vida, lá no meio do Pantanal... grrrrrrrrrrr

Em RAW acontecem milagres, creia!

Trabalho só com Photoshop há muitas horas.
Depois de importar a imagem na primeira tela, do tratamento em RAW, de onde ela sai limpa, inicio o os detalhes e o recorte com a ferramenta Pen tool (Paths).

O fundo deve ser eliminado pouco a pouco para destacar a imagem com a ferramenta Pen tool

Destaca-se do fundo e aproxima-se o máximo possível

O fundo sai pouco a pouco

Esta etapa é demorada e deve ser feita com a imagem ampliada em 200% ou mais. Após, descolo a ave do fundo e inicio o tratamento dos detalhes, dando Sharpen (para impressão gráfica deve ser "exagerado"), Burn tool e Dodge tool. Todas as imagens são tratadas em RGB e no tamanho original que sai da câmera. Só depois será ampliada ou reduzida, conforme seu posicionamento no poster.

Com uma borrachinha as imperfeições são retocadas

Chegou o momento de transporta-la até a base do poster, arquivo .PSD - CMYK - 450DPI, com o formato final de impressão (um layer para cada ave, nome, simbolo, fundo, etc, o que dá um arquivo de aprox. 500M). Ainda retiro pequenas imperfeições passando uma borrachinha bem pequena para apagar pequenos defeitos de corte.

O poster está em um arquivo .PSD com 450DPI - CMYK

Previamente, já fizemos uma pesquisa e a posição de cada ave no poster segue no sentido de leitura, baseado na lista mais recente do CBRO (Conselho Brasileiro de Registros Ornitológicos), no caso a de 2014. É certo que há necessidade de adaptações mesmo na sequência, mas varia muito pouco e sempre mantém a família unida.

Depois de posicionadas vem a primeira prova fotográfica do conjunto, para ver como se comporta fora da tela do computador, imprescindível, pois na tela temos somente luz e o nosso trabalho final será em papel.

Analisada a prova fotográfica, voltamos para o computador e novamente vamos aos ajustes finos, de cor, de posicionamento, tamanho, recorte, etc. Enquanto isso, minha companheira e amada Gabriela Giovanka faz a revisão fina dos nomes, traduções, bibliografia...

A Narceja, agora justada delicadamente entre outras aves

Entra em cena nosso querido amigo Vítor Piacentini (doutor em ornitologia da USP) que recebe uma cópia para revisão científica. Ele também é nosso orientador nas expedições e recebe/elabora uma lista prévia onde são escolhidas as espécies a serem buscadas e depois, com outra lista daquelas fotografadas, prosseguimos nosso trabalho seletivo até chegar à final, que pode mudar a qualquer momento, até a hora da impressão, por conta de detalhes necessários do ponto de vista científico, coisas que nos escapam, mas que o Vítor capta no ar!

Trabalho com o bom e velho Macbook Pro 17 tela antireflexo, com 16G de RAM e dois HDs SSD

É hora da prova de prelo!
Equipamentos calibrados com a impressora nos dão a noção exata de como ficará o poster, mas aí ainda há ajustes finíssimos e balanceamento de cores com o monitor, adaptação da cor de fundo, equilibrio de algumas aves em relação a outras, estouro de cores e por aí vão mais alguns dias até a liberação, momento de frio na barriga, porque é a hora de levar até a máquina e dali à laminação, empacotamento, transporte e distribuição.


Eis o poster finalmente pronto, uma delícia... :)







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